quarta-feira, 8 de abril de 2009

Sobre o Natal


Fim de ano. Época de festas e confraternizações. Tempo de reflexões e de esperanças que se renovam. Mais do que uma festa religiosa, o nosso natal é uma festa política e econômica. O natal para o ser humano é uma festa fantástica, pois traz no seu cerne a vontade de mudança, de humanidade e de recomeço. Mas o nosso natal cristão ocidental seria tão melhor se superasse sua hipocrisia. Na teoria nós humanos conhecemos muito bem a mensagem natalina: paz, esperança, igualdade e justiça. Mas na prática sabemos que não é assim. Cada um tem seu natal conforme sua “sorte”. O natal do rico não tem nada de igual com o natal do pobre, mas mesmo assim eles se cumprimentam, se abraçam e trocam desejos de esperança. Isso é simplesmente maravilhoso, não fosse o fato de só fazerem isso porque é natal e como todos sabem no natal se faz isso. Lindo seria se não fosse hipócrita, mas não vamos estragar o natal e sim denunciar quem é que realmente comemora essa festa “religiosa cristã”.
De festa religiosa cristã o natal não tem nada, é só perguntar a qualquer um sacerdote bem informado que ele lhe afirmará o que digo. O natal é uma continuação de comemoração dos solstícios de inverno comemorados antigamente nos países nórdicos. A chegada do sol por aquelas bandas era celebrada como a chegada de um deus que traria um novo começo, daí o nascimento de Cristo ser ligado a essa festa. O Jesus menino é o arquétipo de nossos anseios por um novo nascimento, uma nova vida e esperança de paz. Segundo Jung, arquétipos são projeções do inconsciente coletivo, modelos e padrões desejados pela humanidade. Outra figura simbólica que representa um grande arquétipo da humanidade é o famoso papai Noel.
Dizem que São Nicolau foi um bom velhinho que adorava presentear três crianças secretamente. Sua lenda deu origem ao gorducho e simpático velhinho que adora esvaziar o bolso de toda a humanidade. Nesse ponto papai Noel encarna bem o “espírito natalino”, pois como todos sabem o dinheiro não tem pátria, não tem religião, não tem cor e nem filhos prediletos. Que lindo, o dinheiro é tão democrático em suas escolhas. Só não é em sua distribuição. Pobre da criança que acredita que esse “bom velhinho” os presenteia sem barganhas, sem comércio e sem interesses.
Como arquétipo do inconsciente de nossa sociedade judaico-cristã-capitalista- ocidental, papai Noel é perfeito. Sua barba branca denota nossa sabedoria herdada da Grécia Antiga e seus filósofos. Sua morada em uma ilha no norte faz referência clara aos britânicos, iniciadores da atividade capitalista. Seu aspecto gordo simboliza a fartura e a abastança que a riqueza proporciona. Sua bondade reflete nosso desejo de sermos bons e esquecermos a maldade do mundo. Pena que estamos tremendamente equivocados. O arquétipo papai Noel não é tão bom assim. É só esperar por uns dias e veremos quantos nomes irão para o SPC e quantas pessoas chorarão por causa de suas dívidas contraídas durante o natal. E enquanto isso acontece, o espírito do “bom velhinho” encarnado nos shopping centers comemora o natal com muita alegria. Se Jung estivesse vivo entre nós certamente reconheceria papai Noel como projeção do inconsciente (às vezes parece consciente) coletivo de todo “velho e bom” capitalista, que tira proveito dessa grande festa “cristã” ocidental. É uma pena que Jung esteja morto. (Anderson)

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